quinta-feira, 3 de junho de 2010

Esta semana ...

Esta semana começou com uma leve dor de cabeça,
Em alguns dias ela parecia parar em outros no meio da madrugada queria me matar,
Na terça estava deitado em uma maca,
Tomando meio litro de soro entupido de medicamentos,
Duas horas para refletir,
Duas para para ver muitos futuros,
Duas horas pensando em incontaveis erros na vida.

A enfermeira me ofereceu uma coberta,
Não quis,
Precisava sentir a punição que era aplicada a cada segundo daquele momento.

Atras de mim tinha uma enorme vidraça,
Dava para ver o ceu,
Dia nublado e vendo cortante,
Dava para ver as nuvens correndo rapido pelo ceu,
O tempo pareceu curto e escasso,
Tive desespero,
Queria sair dali,
Precisava correr,
Mas para que ?

Tirei o olho do ceu e vi o soro,
Pendurado,
Pingava lento,
Gota por gota dizendo:
- Cowboy? Quantos voce derrubou com sua pistola ?
- Agora é minha vez.
- Quando se aposta, alguns jogam tudo outros perdem aos poucos, mas você já não tem mais creditos.
- Já não é hora de desisitir?
- Não farei força, vou esperar sua exaustão. Como disse você, nao tem mais credito.

Era tenue o limiar da sanidada,
Resolvi não discutir com as gostas,
Tentei ver as pessoas na sala.

Não foi melhor.

Ao meu lado uma mulher que dormia,
Soro no braço,
Recebia dezenas de psicotropicos e dormia como uma menina apos um dia no parque,
Era uma lapide de 200 kilos em marmore sendo jogado exato em seu coração.
Procurei outra coisa para ver,
Estava ficando sem opçao.

Mas sempre o pior fica para o final,
Não tinha creditos e teria que suportar.

Pela sala entrou uma menina anorexa que havia desmaiado na academia,
O pai chegou apos 15 min para ver a filha levemente desfalecida,
Palida e fantasmagorica,
Pelo que entendi a mãe estava despreocupada com compras,
O pai queria entender o porque de tudo,
A filha cadaver na cadeira de medir pressão,
E viria o punhal cego com o peso de um todo.

Entrou na sala uma menina ruiva,
Olhos enormes e verdes,
Talvez um dos mais bonitos que ja vi,
Rosto cheio de sardas,
Cabelo por pentear,
Rosto confuso.

Pai viciado em trabalho,
A mãe fechando os olhos para a realidade,
A filha mais velha se matando,
E a menor vendo tudo,
Em silencio.

Dois olhos perdidos,
Queria dizer que mesmo que seus olhos doessem não queria ficar cega,
Mas só vi aquele rosto e aqueles olhos por um breve momento,
Não precisava mais,
O punhal já havia atravessado meu coração 99,05 cm,
O sangue jorrou todo em apenas um segundo ou em milesimos dele,
Morto ou vivo dentro daqueles olhos pedindo socorro?

No dia seguinte,
Tudo parecia um sonho,
Uma imensa marca roxa no meu braço,
E senti na minha alma,
Fui ao inferno e voltei,
E sei que não foi a ultima vez.

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